
A cigarro eletrônico afeta o cérebro tanto quanto o cigarro tradicional?
Os cigarros eletrônicos são frequentemente apresentados como uma alternativa menos nociva aos cigarros tradicionais. No entanto, seus efeitos no cérebro permanecem pouco conhecidos e podem ser igualmente preocupantes. Pesquisas recentes revelam que a inalação do vapor dos cigarros eletrônicos perturba vários mecanismos cerebrais essenciais, incluindo aqueles que protegem e nutrem o cérebro.
O cérebro é protegido por uma barreira natural chamada barreira hematoencefálica. Ela filtra as substâncias presentes no sangue e impede que toxinas atinjam os neurônios. Estudos mostram que a exposição aos aerossóis dos cigarros eletrônicos enfraquece essa barreira. As proteínas que garantem sua vedação, como a claudina-3, têm sua produção reduzida. Isso aumenta sua permeabilidade e favorece a inflamação, um fenômeno também observado com a fumaça do tabaco. A inflamação é marcada por um aumento de moléculas específicas que sinalizam uma reação de defesa excessiva.
O cérebro precisa de glicose para funcionar corretamente. Transportadores, como GLUT1 e GLUT3, permitem que esse açúcar atravesse a barreira hematoencefálica. No entanto, o uso de cigarros eletrônicos reduz a atividade desses transportadores. Em caso de acidente vascular cerebral, quando o cérebro já está privado de oxigênio e glicose, essa perturbação agrava os danos. As células cerebrais, menos abastecidas de energia, tornam-se mais vulneráveis.
As consequências não param por aí. Experimentos com animais indicam que o vapor dos cigarros eletrônicos altera as capacidades cognitivas. Camundongos expostos demoram mais para resolver tarefas de memória e apresentam sinais de inflamação cerebral. Esses distúrbios lembram aqueles causados pelo tabaco, conhecido por acelerar o declínio cognitivo e aumentar os riscos de doenças neurodegenerativas.
A nicotina, presente na maioria dos líquidos de vaporização, desempenha um papel central nesses efeitos. Ela modifica a atividade dos neurônios e pode perturbar a comunicação entre as células cerebrais. Mesmo que os cigarros eletrônicos evitem alguns componentes tóxicos da fumaça do tabaco, como o monóxido de carbono, eles frequentemente contêm altas concentrações de nicotina. Esta age diretamente nos receptores cerebrais, influenciando a atenção, a memória e a resposta ao estresse.
Um medicamento usado para diabetes, a metformina, mostrou resultados promissores em estudos com animais. Ele atenua a inflamação e protege parcialmente a barreira hematoencefálica dos danos causados pelo vapor dos cigarros eletrônicos. Isso sugere que tratamentos poderiam limitar os riscos neurológicos, mas testes em humanos ainda são necessários.
Contrariando uma ideia preconcebida, os cigarros eletrônicos não são, portanto, neutros para o cérebro. Seu uso poderia, a longo prazo, favorecer acidentes vasculares cerebrais e o declínio das funções intelectuais. Os mecanismos envolvidos assemelham-se estranhamente aos do tabaco, questionando sua suposta inocuidade. Os pesquisadores insistem na necessidade de estudar mais a fundo seus impactos, especialmente em jovens cujo cérebro ainda está em desenvolvimento.
Sources utilisées
Source du rapport
DOI : https://doi.org/10.1186/s13064-026-00255-8
Titre : Uncovering the neurophysiological parallels between vaping and traditional cigarette smoking
Revue : Discover Neuroscience
Éditeur : Springer Science and Business Media LLC
Auteurs : Huda Al-Bana; Manneha Qazi; Mustapha Kah; Ikram Afridi; Khalid Mohamed; Ronak Bhatia; Emmanuel Ocampo; Chimezie Amaefuna; Ositadimma Ugwuanyi; Rawan Elkomi; Muhammad Ahmad Imran; Syed Fahad Gillani; Mekdem Bisrat; Mrinalini Deverapalli; Miriam Michael